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domingo, 28 de abril de 2013

A MORTE NÃO É O FIM...Santo Agostinho.

Eben Alexander III: "Estive no Céu e voltei para contar"

O neurocirurgião americano entrou em coma por causa de um tipo raro de meningite. Em seu novo livro, diz por que agora acredita na vida após a morte

MARCELA BUSCATO
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JORNADA O neurocirurgião americano Eben Alexander III, em foto da semana passada. Ele diz que sua mente viajou pelo Céu, enquanto seu corpo sofria. “Tive certeza de que Deus é absolutamente real” (Foto: Filipe Redondo/ÉPOCA)
Eben Alexander III, de 59 anos, foi por 15 anos professor adjunto de neurocirurgia da universidade Harvard, nosEstados Unidos, e ocupou cargos semelhantes em outras universidades e hospitais. Diz ter ouvido de inúmeros pacientes que estiveram em estado grave relatos de encontros com familiares já mortos e descrições de paisagens celestiais – algo chamado pelos médicos de “experiência de quase morte”. Como a maioria de seus colegas, ele considerava as EQMs alucinações criadas pelo cérebro doente. Até que, em 2008, ele ficou em coma por sete dias, por causa de um tipo raro de meningite. A doença o levou à beira da morte e – segundo ele – às portas do Céu. A experiência mudou sua vida. Ele se separou da mulher, deixou o trabalho de neurocirurgião e montou uma ONG, a Eternea, para investigar experiências semelhantes. Na semana passada, esteve no Brasil para lançar seu novo livro, há 23 semanas um dos mais vendidos nos Estados Unidos, e falou com ÉPOCA.
ÉPOCA – O que o senhor experimentou durante o coma?
Eben Alexander III –
 Estive em dois lugares diferentes. Chamo o primeiro de núcleo, um mundo subterrâneo, onde estava imerso no que parecia uma gelatina escura. Não tinha corpo, memória nem identidade. Algumas pessoas sugeriram ser o Purgatório. Se eu tivesse ficado só nesse lugar, teria passado pelo que chamam de experiência de quase morte infernal. Entre 3% e 4% das pessoas relatam esse tipo de jornada. Essa é a experiência incompleta. A segunda parte de minha jornada foi muito mais prazerosa, quando entrei num lindo vale, adorável, celestial, carregado pelas asas de uma borboleta.
ÉPOCA – Como foi isso?
Alexander –
 É muito importante especificar que não é uma borboleta terrena. É apenas a melhor palavra para descrever o que vi. Eu e uma menina de olhos azuis profundos que encontrei nesse vale andávamos sobre uma superfície intrincada, de cores indescritíveis, como as asas de uma borboleta. Algumas pessoas dizem que exagerei. Mas não inventei nada, só estou relatando o que aconteceu. Foi reconfortante quando li o trabalho de Elisabeth Kübler-Ross (psiquiatra suíço-americana que desenvolveu a teoria dos cinco estágios do luto). Ela encontrou desenhos de borboletas na madeira dos barracões onde crianças judias viveram seus últimos dias durante o Holocausto. Ao acompanhar milhares de pacientes terminais ao longo dos anos, ela percebeu que as borboletas eram um símbolo frequente. Recentemente, li sobre um tornado que passou pelo Estado americano do Missouri há alguns anos. Crianças sobreviventes pintaram um painel sobre a tragédia e desenharam muitas borboletas. Elas diziam que tinham sido resgatadas por esses anjos-borboleta durante o tornado.
ÉPOCA – Então, o segundo lugar em que o senhor esteve era o Céu?
Alexander –
 Eu diria que sim. Na segunda parte de minha experiência, estive num vale, uma espécie de portal para o Céu. Esse vale tem muitos elementos considerados terrenos: cachoeiras, flores desabrochando, milhões de borboletas muito coloridas. Mas o Céu não é só aquele portal. O Céu são múltiplos universos, numa dimensão superior, separada totalmente no espaço e no tempo da dimensão em que vivemos. Fui carregado para um lugar cheio de nuvens fofas. Seres deslumbrantes se deslocavam em arcos, deixando rastros. Havia uma música majestosa, como um grande coral angelical, impossível de descrever. Ao avançar, entrei num imenso vazio, escuro, mas repleto de luz. Havia uma órbita viva, uma esfera brilhante, que funcionava como um intérprete entre mim e uma presença extraordinária. Era um ser onisciente, onipresente e incondicionalmente amoroso. No livro, eu o chamo de Om, o som que lembro ter ouvido. Pode ser Deus, o Criador ou o nome que se queira dar.
ÉPOCA – O senhor percebe como essa descrição parece cheia de clichês?
Alexander –
 É muito complicado resgatar essa experiência e traduzi-la em palavras terrenas. É como tentar escrever usando metade do alfabeto. Lá, não existe linguagem. As respostas são dadas numa explosão de luz, cor, amor e beleza. É como um fluxo de conceitos que você apreende instantaneamente. Os céticos se prendem a esses detalhes e, por isso, não se permitem entender o significado maior da experiência. Se você vir um espírito num corpo de luz, os cristãos dirão que é Cristo, os muçulmanos dirão que é Maomé, e os ateus não saberão identificar, porque não acreditam em nada. Mas todos verão a mesma imagem. Os céticos se recusam a acreditar porque acham que, se você viu Deus, não pode ser verdade.
"Se eu não tivesse conhecimento científico, talvez tivesse dado ouvidos a meus médicos e deixado de lado as ‘memórias bizarras’" 
ÉPOCA – O senhor acha que, por ser neurocirurgião, seu relato tem mais credibilidade?
Alexander –
 Um médico disse que não faz a mínima diferença se sou neurocirurgião ou encanador. Se fosse encanador e não tivesse conhecimento científico, talvez tivesse dado ouvidos a meus médicos. Eles disseram para eu deixar de lado as “memórias bizarras”, porque o cérebro doente cria ilusões. Acontece que meu cérebro imerso em pus não teria condições de criar uma alucinação – muito menos a experiência ultrarreal e rica que tive.
ÉPOCA – Seus colegas médicos dizem que, em seu estado, o senhor poderia perfeitamente alucinar...
Alexander –
 Revisei meus prontuários e exames e percebi que não tinha nenhuma atividade no neocórtex, a parte do cérebro que controla pensamentos e emoções. Naquele estado, meu neocórtex não seria capaz de sustentar consciência, sonho ou alucinação. Por isso, tenho certeza de que a experiência aconteceu fora de meu cérebro.
ÉPOCA – Ela não pode ser resultado do funcionamento do cérebro quando ele estava se recuperando, nos últimos dias do coma?
Alexander –
 No fim de minha jornada, quando estava voltando à vida terrena, vi seis faces que acabaram sendo muito importantes para entender o que aconteceu comigo. Cinco dessas pessoas estavam fisicamente presentes no quarto, ao redor de minha cama, nas últimas 18 horas de meu coma. Não me lembro de ninguém que esteve em volta de meu leito em meus quatro primeiros dias de coma. Isso sugere que minha jornada aconteceu entre o primeiro e o quinto dia do coma, não no sétimo dia, quando meu cérebro estava se recuperando e essas pessoas estavam em volta de meu leito. Depois que recobrei a consciência, tive pesadelos. Fiquei 36 horas num estado confuso, paranoico. Essas alucinações eram bem diferentes: nebulosas, cheias de linguagem, enquanto minha jornada não tinha linguagem e foi ultravívida. As memórias dessas alucinações foram se apagando, porque foram criadas pelo cérebro físico. Só lembro agora, porque as escrevi assim que me recuperei. As memórias de minha jornada continuam nítidas, como se tivessem ocorrido ontem, porque são resultado de uma experiência transcendental.
ÉPOCA – A semelhança dos relatos de quase morte de diferentes pessoas não sugere que existe um mecanismo cerebral comum?
Alexander –
 As semelhanças sugerem que são verdadeiros, porque, mesmo causadas por inúmeras condições médicas, que afetam o cérebro de maneira diferente, as experiências são parecidas. Elas sugerem que o antigo modelo descrito pela ciência – o cérebro cria a consciência – é falso. Acho que a ciência está prestes a entender isso. Em uma ou duas décadas, acontecerá o mesmo com essa crença simplista que aconteceu com o pensamento “a Terra é plana” ou “o Sol gira em torno da Terra”.
ÉPOCA – Como o senhor explica a consciência, a partir de sua nova perspectiva?
Alexander –
 Compartilhamos uma consciência divina. É o que as pessoas chamam de Deus. Nosso cérebro é como uma válvula redutora, que nos dá a ilusão do presente, da realidade que vivemos. É como se tentássemos enxergar a grande dimensão do Universo durante o dia, quando o Sol está brilhando. As outras estrelas não aparecem, e pensamos que não existe nada além, quando, na verdade, há muito mais. Só entendemos a verdadeira dimensão do Universo quando o observamos à noite.
ÉPOCA – Antes de sua experiência, o senhor era cético?
Alexander –
 Cresci numa casa com ciência e religião. Meu pai era neurocirurgião e tinha uma crença espiritual forte. Eu costumava ir à igreja. Queria muito acreditar em Deus e fazia minhas preces. Também tinha fé na ciência, achava que era um caminho para a verdade. Agora, percebi que a ciência precisa ter fronteiras mais amplas se quiser explicar toda a realidade.

Fonte:E´mail

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