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quarta-feira, 22 de agosto de 2012

É TAPAR O SOL COM A PENEIRA...CADÊ A QUALIDADE??


Cota desrespeita inteligência



Fernando Reinach




Todo professor responsável enfrenta o desafio de lidar com a diversidade dos alunos. Parte da diversidade resulta de diferenças na motivação deles. Enquanto alguns chegam famintos por novos conhecimentos, outros preferiam estar longe da sala de aula.

Mas também existe a diversidade dos conhecimentos na mente de cada aluno. Enquanto alguns sabem o suficiente para compreender o conteúdo da aula, outros têm dificuldade ou ainda são incapazes de acompanhar a matéria. Claro que essas duas categorias se entrelaçam. Muitos alunos perdem a motivação por estarem despreparados para acompanhar a aula, outros a perdem pelo fato de a aula não ser suficientemente desafiadora e instigante.

O dilema é sempre o mesmo. Ao puxar o ritmo do aprendizado, o professor motiva os preparados, mas aliena os retardatários. Se optar por ajudar os retardatários, perde o interesse dos mais adiantados.

Desde o surgimento da escola na sua forma atual, em que muitos alunos são ensinados por um professor, o problema da heterogeneidade das classes tira o sono de docentes dedicados. Esse problema está na origem do ensino seriado, em que alunos da mesma idade e conhecimento são agrupados em uma sala de aula e sua promoção para a próxima série depende do cumprimento de certas metas.

Esse mecanismo, que garante um mínimo de homogeneidade, é a mãe dos exames de avaliação, da temida reprovação e das aulas de recuperação, talvez o melhor mecanismo para reduzir a diversidade. Nas cortes europeias, em que os jovens príncipes eram educados individualmente por tutores, esse problema não existia. Mas, assim que o ensino formal foi massificado, mecanismos capazes de organizar alunos em grupos relativamente homogêneos foram desenvolvidos. O custo de desrespeitar essa regra básica é um aproveitamento menor dos alunos e uma diminuição na eficiência e velocidade do ensino.

Aprovação automática. Há alguns anos foi introduzida no Brasil a aprovação automática dos alunos, independentemente do conhecimento adquirido. Além de ser uma maneira barata e simplista de isentar o sistema educacional da responsabilidade de dar aulas de reforço e acompanhamento, essa medida aumenta a heterogeneidade das classes, dificulta o trabalho dos professores e diminui a eficiência do ensino. Nossos professores agora têm de motivar, durante uma mesma aula, alunos preparados e despreparados. Mas ninguém reclamou muito. Professores e diretores se livraram da meta básica de todo educador: fazer a maioria de seus alunos aprender, de maneira estimulante, o currículo de cada série. O governo pode mostrar estatísticas de aprovação róseas e os pais se livraram da frustração de ter seus filhos reprovados. O resultado é que a pressão por um sistema educacional melhor foi aliviada.

Agora uma nova lei promete aumentar a heterogeneidade entre os alunos das universidades federais. É o sistema de cotas para alunos que estudaram em escolas púbicas. Não há dúvida de que é injusto que toda a população pague pela manutenção das universidades federais e somente os mais ricos, vindos de escolas privadas, ingressem nessas instituições. A questão é saber se as cotas são a melhor solução para essa distorção.

Com o novo sistema de cotas, 50% das vagas nas universidades federais serão disputadas por todos os alunos. O restante será disputado por alunos de escolas públicas. Esse novo sistema vai gerar dois grupos de alunos em todas as classes, em cada um dos cursos de todas as universidades federais.

Quão diferentes serão esses grupos? Se os melhores alunos da escola pública tivessem preparo semelhante ao dos melhores alunos das escolas privadas, a nova lei seria desnecessária. O alunos da escola pública já ocupariam hoje mais de 50% das vagas. Mas esse não é o caso e metade das vagas será ocupada por alunos menos preparados (mas não menos inteligentes). Basta simular esse tipo de seleção com base nos resultados dos vestibulares passados para verificar quão diferentes serão esses dois grupos.

Qual será o efeito dessa medida sobre a qualidade do ensino ministrado nas universidades federais? Como o ensino será ministrado nessas novas classes, em que metade dos alunos será menos preparada que a outra metade? Os professores adequarão o ensino a essa metade, desestimulando os mais preparados, reduzindo o nível de toda a universidade? Ou será que o nível das aulas será mantido, alienando os alunos menos preparados e desencadeando reprovações em massa?

Será que os defensores dessa lei acreditam que os professores das universidades federais são tão capazes, motivados e tão bem remunerados que facilmente darão conta desse novo desafio? Ou será que as universidades federais adotarão o sistema que existia nas pequenas escolas primárias do interior do País, em que todos os alunos do curso primário eram colocados na mesma sala, organizados por fileiras. Os de 7 anos numa fileira, os de 8 em outra e assim por diante, enquanto o professor dividia seu tempo entre as fileiras.

Qualidade ameaçada. O mais provável é que esse aumento na heterogeneidade diminua a qualidade do ensino nas universidades federais. Só resta esperar que na esteira dessa nova lei não venha a obrigação da aprovação automática nas universidades federais ou um novo programa de cotas que garanta para os alunos egressos dessas universidades 50% das vagas no funcionalismo público.

Antes de sancionar a nova lei, o governo deveria visitar diversos programas experimentais financiados pelo setor privado. Muitos desses programas, ministrando aulas complementares nos finais de semana, conseguem colocar até 80% de alunos carentes, vindos do ensino público, nas melhores universidades brasileiras. Isso depois de concorrerem com os melhores alunos do ensino privado. Vale a pena ver o orgulho estampado na face desses jovens.

Na minha opinião, as cotas colaboram para a piora do ensino público e são um desrespeito à inteligência e à autoestima dos alunos das escolas públicas. Precisamos não de cotas, mas de um ensino público melhor.

O ingresso de 50% de alunos do sistema público nas universidades federais deveria ser uma meta do Ministério da Educação e não mais uma maneira de diminuir a pressão da sociedade por uma educação de melhor qualidade.

Fonte:Estadão

O RECONHECIMENTO É MERECIDO...


Enquete do iG ultrapassa 100 mil votos em apenas dois dias



Enquete inovadora questiona qual presidente fez mais pelo país: José Sarney, Fernando Collor de Mello, Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso, Lula ou Dilma Rousseff

iG São Paulo | 22/08/2012



A enquete inovadora do iG  que pergunta aos leitores qual dos seis presidentes brasileiros da era democrática fez mais para o país ultrapassou os 100 mil votos na manhã desta quarta-feira (22), apenas dois dias após ser publicada no portal.

Relembre: Veja o legado dos seis presidentes da era democrática

Até o momento, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso , que governou entre 1995 e 2002, é o mais votado. Ele é seguido pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010), por Itamar Franco (1992-1994) e Fernando Collor (1990-1992). A atual presidente Dilma Rousseff é a segunda menos votada, na frente apenas de José Sarney (1985-1990).

A enquete em tempo real do iG chega à sua quarta semana consecutiva. No início do mês, os internautas já participaram de uma enquete para escolher qual foi o pior prefeito de São Paulo nos últimos 20 anos: Luiza Erundina, Paulo Maluf, Celso Pitta, Marta Suplicy , José Serra ou Gilberto Kassab ? A senadora Marta Suplicy (PT), ex-prefeita da capital, teve o maior número de votos.

Leitores do iG: Marta é eleita pior prefeita de SP dos últimos 20 anos

Leia mais:  Menos votada, Erundina diz que enquete do iG é 'referência'

Para votar, basta clicar na enquete, em destaque na home do iG . Participe e saiba como pensam os outros usuários. Você faz o iG ao vivo com a gente.

Enquete inovadora

A plataforma de enquete é baseada no conceito real time, que promove uma interação completa e em tempo real entre todos os usuários do portal. O leitor poderá participar e conferir de que forma todos os outros usuários estão votando simultaneamente. Assim, é possível acompanhar os resultados e medir as mudanças de humor dos internautas em relação aos principais temas do Brasil e do mundo.

Leia também: Enquete revolucionária do iG é comentada nas redes sociais

A tecnologia, criada pela IBT, empresa que pertence à Brztech, da qual faz parte o grupo português Ongoing, reduz o tempo entre a ação do usuário e a visualização, eliminando os atrasos decorrentes da atualização de páginas e de publicação. O grupo Ongoing é controlador do portal iG .

A plataforma revolucionária do iG vem tendo um grande alcance nas redes sociais , em especial no Twitter e no Facebook. A repercussão das enquetes anteriores foi imediata e vários usuários convocaram os amigos para votar na home do portal, fazendo com que a plataforma rapidamente se tornasse um viral na rede.

Fonte:http://www.facebook.com/

terça-feira, 21 de agosto de 2012

É HORA DE JOAQUIM BARBOSA FAZER HISTÓRIA


A importância histórica do STF

Arnaldo Jabor





Arnaldo Jabor - O Estado de S.Paulo


Eu vi os dois primeiros dias do julgamento do mensalão. E, 'data venia', vi que há no Tribunal alguma coisa nascendo nas frestas dos rituais solenes: os indícios de um fato histórico: o STF está mais ligado ao mundo real, mais atento à opinião pública (por que não?)

Mas, dava para ver um tenso alvoroço no plenário como na pré-estreia de um filme inédito. Tudo parecia ainda um atemorizante sacrilégio, como se todos estivessem cometendo um pecado - o delito de ousar cumprir a lei julgando poderosos. Será que ousarão contrariar séculos de impunidade, séculos de distância entre a Justiça e a sociedade?

Vi o frisson nervoso nos juízes que, depois de sete anos de lentidão, têm de correr para cumprir os prazos impostos pelas chicanas e pelos retardos que a gangue de mensaleiros conseguiu criar. Suprema ironia: no país da justiça lenta, os ministros do Supremo são obrigados a correr, andar logo, mandar brasa, falar rápido, pois o Peluso tem de votar e sai em setembro. E só há julgamento porque o ministro Ayres de Britto se empenhou pessoalmente em viabilizar prazos e datas. Se não, não haveria nada.

O STF parecia um palco armado: os advogados dos réus numa tribuna, a imprensa, convidados VIPs. Os advogados se movem em sincronia como discretos bailarinos de ternos, com expressões céticas ou quase cínicas, um tédio proposital nas caras, ostentando a tranquilidade profissional de pistoleiros bem pagos antes de sacar a arma no duelo.

Ali estavam os protagonistas: Joaquim Barbosa transido de dores, ardendo na pressa de emplacar esta revolução no STF, defrontando-se com a programada lentidão de seu inimigo principal, Lewandowski, o homem que levou seis meses para ler um processo escancarado havia sete anos, e que no início do julgamento deu-se ao capricho de ler o seu voto por uma hora e meia, conseguindo cumprir a estratégia de Thomaz Bastos e atrasar mais um dia no processo. E conseguiu irritar Joaquim Barbosa, que o chamou de "desleal". Lewandowski retrucou, revelando a intenção que lhe vai na alma: "pelo que vejo, este julgamento vai ser turbulento". Quando foi cantar o Gilmar Mendes, Lula disse que Lewandowski estava sob muita pressão e que o Joaquim Barbosa era um "complexado" - por quê? Porque é preto e está de coluna doendo? Ninguém, claro, assume o sutil racismo brasileiro, mas ninguém esquece que ele é preto; nem ele. A verdade é que Lula o nomeou achando que seria uma "ação afirmativa" para seu governo e que Barbosa lhe seria grato. Lula achava que podia influir no outro poder com esse gesto. Dançou também no seu 'alopramento'.

No voto de Lewandowski vimos seu desejo de deixar patente na TV que é resistente a pressões de nossa 'rasteira' opinião pública. Quis também exibir cultura jurídica cravejada de citações, criando um mecanismo de defesa preventivo que transmuta sua fama de lento em 'independência' minuciosa. O julgamento vai oscilar entre a pressa e a lentidão. Pelos freios e embreagens, a defesa dos réus se fará por meio de chicanas retardadoras, por atrasos programados, por bloqueios e 'questões de ordem' com cascas de banana.

Aí, começou a leitura da acusação do procurador-geral da República, que ouvi com um arrepio de orgulho, como se estivesse na Inglaterra diante de um sistema judiciário impecável. Seu relatório serviu como uma viagem no tempo, rememorando toda a chanchada deprimente que foi o escândalo do mensalão, sete anos atrás. Tudo reapareceu: cada malinha de dinheiro vivo do Banco Rural, cada cheque administrativo, cada mentira e negação. Será dificílimo contestar o relatório e o voto de Roberto Gurgel, pois ele exibiu o óbvio, a autoevidência dos delitos. Daí, o show de chicanas a que assistiremos.

Foi espantoso constatar também que os "malfeitos" dos mensaleiros foram incrivelmente "aloprados", trabalho de ridículos amadores, deixando pistas gritantes, dando bandeiras em todas as direções. Como puderam errar tanto, ser tão primários?

Pensei e vi o óbvio - lembrei-me dos velhos comunistas que eu conheci tão bem na minha revolução juvenil.

O povão era nossa boa consciência, o povão era nosso salvo-conduto para a alma pacificada, sem culpas - o povão era nossa salvação.

Nós éramos mais "puros", mais poéticos, mais heroicos. Ai, que saudades do comunismo e, como dizia Beckett: "Que saudades das velhas perguntas e das velhas respostas..." A 'verdade' era o simplismo; complexidade era (e ainda é, para eles) coisa de 'direita'.

Mas, como era bom se sentir superior a um mundo povoado de "burgueses, caretas e babacas", como eu classificava a humanidade. Daí, a explicação: para que se importar com os babacas? Podemos deixar pistas à vontade porque, como disse o Lula, "sempre foi assim". Passaram a "desapropriar" a grana da "direita" - ou seja, inventaram o roubo com boa consciência, para 'salvar' o povão com a grana do povão. Claro que isso foi apenas o "rationale" para justificar a 'mão grande', um estandarte ideológico para legitimar a invasão da 'porcada magra no batatal'. Claro que pegaram altos trocos, porque ninguém é de ferro. Só não contavam com as 'cobras criadas' do Congresso, como o Jefferson, que viram aqueles comunas folgados descumprindo promessas, tratando-os com descaso de heróis contra 'burgueses alienados e covardes'. Deu nas denúncias operísticas do Jefferson, um dos recentes salvadores da pátria. Por trás do mensalão há desprezo pela inteligência da sociedade.

Mas, muito mais grave do que a tradicional mãozinha nas cumbucas, mais grave que punhados de dólares na cueca ou na bolsinha, muito mais grave é a justificativa de que tudo não passou de 'crime eleitoral', quando se tratou de mais de R$ 100 milhões num roubo "revolucionário". Os mensaleiros se absolvem e justificam porque teriam uma missão acima da democracia "burguesa".

Portanto, o STF não está julgando apenas umas roubalheiras, mas a tentativa de desmoralizar a democracia para o benefício de um partido único. O PT quis usar o governo que "tomaram" para mudar o Estado brasileiro. O STF está julgando a preservação da República que lentamente se aperfeiçoa e este julgamento já é uma etapa de nossa evolução democrática.

Fonte: O Estado de S.Paulo

OS POLÍTICOS AGE POR CONVENIÊNCIA OU CONIVÊNCIA


Reféns da fantasia


Dora Kramer





Dora Kramer - O Estado de S.Paulo


Se os hoje réus em julgamento no Supremo Tribunal Federal tivessem de fato convicção de que o único crime do PT e companhia fosse a prática do caixa 2 em campanhas eleitorais, natural que tivessem se defendido do delito.

Ao menos na época em que o assunto estava restrito ao campo político, já que depois do oferecimento da denúncia pelo procurador-geral Antonio Fernando de Souza por peculato, corrupção, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e evasão de divisas, o "núcleo político" precisou recorrer a qualquer recurso para se defender, por mais frouxo que fosse.

Na primeira fase, entre a criação da CPI dos Correios em função da exibição de um vídeo de funcionário da estatal ligado ao PTB recebendo R$ 3 mil de propina, a denúncia de Roberto Jefferson e o deslocamento do foco das investigações para o mensalão, o que se ouviu foram negativas peremptórias sobre quaisquer tipos de acertos financeiros.

Apenas a partir da revelação de dados e fatos impossíveis de serem desmentidos é que os envolvidos saíram do estado de negação para o de adaptação de justificativas.

Até que em meados de julho - quase três meses depois da cena que originou todo o escândalo - adotou-se oficialmente a versão do caixa 2 consolidada na entrevista dada pelo presidente Lula em Paris atribuindo as ações de seu partido aos defeitos do sistema: "Do ponto de vista eleitoral o PT fez o que é sistematicamente feito no Brasil", disse.

Desde então, essa passou a ser a história a que estariam presos os advogados na construção das peças em prol dos clientes. Por partirem do princípio da aceitação de ilícito "menor", assentaram como verdadeira a ocorrência de delitos "maiores".

De onde ficaram prejudicadas, por inverossímeis, as defesas apresentadas no processo procurando mostrar os acusados como homens de bem, vítimas de insidiosa perseguição, porque a medida é uma só: se há culpa assumida, seja de que tamanho for, rompido está o pressuposto da inocência.

Sobre a inconsistência dessa versão, aliás, em 2005 já dava insuspeita notícia o presidente da CPI, o petista Delcídio Amaral: "Tudo indica, pelas movimentações financeiras investigadas pela CPI até agora, que perde força a tese de que os empréstimos de Valério foram feitos apenas para viabilizar caixa 2 de partidos".

Poder alienado. Muito já se falou sobre o erro de cálculo do governo federal sobre o potencial de mobilização das lideranças sindicais do serviço público.

Os analistas da cena da prolongada greve também já abordaram a inação do Executivo na regulamentação da Constituição, tema transitoriamente resolvido pelo STF 2007 com a decisão de submeter essas paralisações às regras vigentes para o setor privado.

Só não se fala da indiferença do Legislativo. Legalmente, a iniciativa cabe ao Executivo, mas isso não obriga nem justifica que o Parlamento se mantenha alheio ao que se passa no País enquanto se recolhe a um extravagante "recesso branco" para cuidar das eleições municipais.

Vale dizer, para tratar da conveniência de deputados e senadores ocupados em fortalecer suas bases nos municípios a fim de assegurar suas sobrevivências políticas.

Nada a ver com a função para a qual foram eleitos pelo público votante e, sobretudo, pagante, que nesse momento certamente gostaria de contar com um Parlamento empenhado em levantar o debate para levar o Planalto a cuidar da regulamentação.

Mas, o Congresso não quer ele próprio deixar sua zona de conforto. Só entra em atrito com o Planalto na retórica, quando o partido é de oposição ou quando a maioria governista se vê ameaçada no atendimento de suas reivindicações específicas.

Por tolerância, ignorância ou descrença, do Poder Legislativo não se cobra a execução do papel de mediador ativo da sociedade, deixando que deputados e senadores acabem por atuar como representantes de si mesmos.


Fonte: - O Estado de S.Paulo

domingo, 19 de agosto de 2012

MODELO INEFICAZ E NÃO QUALIFICA O ALUNO


Enfim, um diagnóstico lúcido sobre o desastre do ensino público fundamental e médio no Brasil. Ou: Reformando o ensino com parede cor-de-rosa, teatro e tablets… Funciona? É claro que não!


O governo divulgou na semana passada o resultado do Ideb, que avalia o ensino fundamental e médio. Comentei o desastre aqui em alguns posts. O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, no entanto, comemorou. Compreendo.

A presidente Dilma Rousseff, como sabem, está prestes a endossar uma lei verdadeiramente criminosa aprovada pelo Congresso: a reserva de 50% das vagas das universidades federais para alunos egressos da escola pública, segundo a cor da pele dos estudantes. Pesquisa recente demonstra que nada menos de 4% dos universitários brasileiros são semialfabetizados, e escandalosos 38% não são plenamente alfabetizados. É a tragédia da escola pública fundamental e média se alastrando célere no terceiro grau. Sancionada a lei — Dilma e Mercadante a aprovam —, a universidade pública estará condenada a funcionar como curso supletivo, destinado a suprir as deficiências do ensino nas etapas anteriores. Pior: diminuirá enormemente a pressão em favor da melhoria da escola pública.

Muito bem! As Páginas Amarelas de VEJA desta semana trazem uma entrevista com João Batista Araújo de Oliveira, especialista em educação que põe os pontos no “is”. Voltarei a este assunto (espero que Ricardo Lewandowski e Marco Aurélio de Mello não abusem excessivamente da nossa paciência) para discutir por que, afinal de contas, o Brasil tem feito tudo errado nessa área. Destaco algumas frases de Oliveira:

Qualidade do professor:
“Desde a década de 60 há um rebaixamento do nível do pessoal, e a qualidade do ensino depende essencialmente do professor.”

Palavrório pedagógico
“As escolas têm um punhado de papéis reunidos sob o nome de ‘proposta político-pedagógica’, seja lá o que isso queira dizer: começa com uma frase do Paulo Freire e termina citando Rubem Alves.”

Programa de ensino
“É preciso ter um programa de ensino: afinal, se você não sabe o que ensinar, como vai saber o que avaliar?”

Premiar e punir
“É preciso premiar quem faz direito e punir quem não faz. Hoje, o único punido no sistema de ensino brasileiro é o aluno reprovado. Isso é covardia.”

Pedagogos demais, gestores de menos
“O problema é que as escolas e as secretarias de Educação estão povoadas de pedagogos, e não de gestores.”

Idiotia deslumbrada
“Porque no Brasil o que importa é acessório. O legal é colocar xadrez na escola, é ensinar teatro. O brasileiro vai à Finlândia e acha que o sucesso da educação daquele país se deve ao fato de que as paredes das escolas são pintadas de rosa.”

Enem
“Ficamos com esse troço que ninguém sabe o que é. O Enem não tem a menor importância.”

Tablets nas escolas
“Nenhum país conseguiu melhorar a educação a partir do uso da tecnologia. (…) Não adianta colocar ingredientes certos na receita errada.”

Verba para educação
“Desde 1995, o salário do professor quintuplicou no Brasil, mas não houve avanço no de­sempenho do ensino. Então, aumentar uma variável só não vai mexer no resul­tado.”

Educação em 2021
“Estaremos no mesmo patamar. Não há nenhuma razão para pensar que será diferente.”

Leiam trechos da entrevista. A íntegra está na revista. Por Nathalia Goulart:
Há décadas governos estaduais, municipais e federal se vangloriam de suas escolas-modelo, unidades que recebem toda a atenção da administração de plantão e que, por isso, se destacam dos demais colégios públicos pela excelência. Os governantes deveriam, na verdade, se envergonhar da situação, afirma o educador João Batista Araújo e Oliveira, presidente do Instituto Alfa e Beto, ONG dedicada à educação. O argumento do especialista é simples: “As escolas-modelo são exceções. A regra, como sabemos, são as demais escolas do Brasil”. Para incentivar governos a corrigir a distorção. Oliveira criou, em parceria com a Gávea Investimentos e a Fundação Lemann, o Prêmio Prefeito Nota 10, que vai dar 200 mil reais a administradores municipais cuja rede de ensino fundamental obtenha a melhor avaliação na Prova Brasil, exame federal que mede a qualidade do ensino público no ciclo básico. Escola-modelo, portanto, não conta. “Não adianta o prefeito falar que tem duas escolas excepcionais se as demais não acompanham esse nível. Queremos premiar o conjunto.” Confira a seguir a entrevista que ele concedeu a VEJA.

O MEC divulgou nesta semana os resultados da Prova Brasil, que mostra o nível de aprendizado das crianças no ciclo fundamental das escolas públicas. Como o senhor avalia os resultados?
Eles foram divulgados com grande fanfarra, mas não há nenhuma justificativa para isso. Se você analisa a questão no tempo, percebe que existe estagnação. Há um ponto fora da curva, os resultados divulgados em 2010. Mas eles não foram corroborados neste novo exame, e já esperávamos isso. Estamos onde estávamos em 1995. Há uma melhora bem pequena nos anos iniciais da escola, e pouquíssima variação nas séries finais e no ensino médio. Os gastos em educação aumentaram — e muito — e foram criados muitos programas, mas isso não tem consistência suficiente para melhorar a qualidade do ensino. Então, temos duas hipóteses para a estagnação: ou os programas criados são bons, mas não foram bem executados, ou são desnecessários e não trouxeram benefício algum.

Especialistas, entre os quais o senhor, pregam que uma reforma educacional eficaz se faz com receitas consagradas — ou seja, sem invencionices. Quais são os ingredientes para o avanço?
O primeiro é uma política para atrair pessoas de bom nível ao magistério. Desde a década de 60 há um rebaixamento do nível do pessoal, e a qualidade do ensino depende essencialmente do professor. O segundo ingrediente é a gestão do sistema. Uma boa gestão produz equidade: todas as escolas de uma mesma rede funcionam segundo o mesmo padrão. Hoje, unidades de uma mesma rede estadual ou municipal apresentam desempenhos díspares. O terceiro é a existência de um programa de ensino estruturado, que falta ao Brasil. As escolas têm um punhado de papéis reunidos sob o nome de “proposta político-pedagógica”, seja lá o que isso queira dizer: começa com uma frase do Paulo Freire e termina citando Rubem Alves. Os governos de todos os níveis abriram mão de manter uma proposta de ensino, detalhando o que os alunos devem aprender em cada série. O quarto ingrediente é um sistema de avaliação que possa medir a evolução do aprendizado. Para isso, porém, é preciso ter um programa de ensino: afinal, se você não sabe o que ensinar, como vai saber o que avaliar? De posse de bons profissionais, gestão, programa de ensino e métodos de avaliação, acrescenta-se o último ingrediente, um sistema de premiação e punição. Algumas redes começam a pensar em um sistema de premiação, mas não adianta só dar incentivo. É preciso premiar quem faz direito e punir quem não faz. Hoje, o único punido no sistema de ensino brasileiro é o aluno reprovado. Isso é covardia. Nada acontece com professor, diretor, secretário de Educação, prefeito ou governador quando eles falham.
(…)

Por que é tão difícil levar a qualidade das escolas-modelo para toda a rede de ensino?
Porque no Brasil o que importa é acessório. O legal é colocar xadrez na escola, é ensinar teatro. O brasileiro vai à Finlândia e acha que o sucesso da educação daquele país se deve ao fato de que as paredes das escolas são pintadas de rosa. Na volta ao Brasil, ele quer pintar todas as escolas daquela cor. Depois, ele vai à Franca, onde vê um livro que julga importante e decide introduzi-lo nas escolas daqui… Em vez de olharmos o que os sistemas de ensino daqueles países têm em comum, olhamos exatamente para o que há de diferente neles, como se isso fosse a bala de prata da educação. Por isso gestão é tão importante: é preciso focar o DNA da escola e deixar de lado o que é periférico. O problema é que as escolas e as secretarias de Educação estão povoadas de pedagogos, e não de gestores. Não conheço uma Secretaria de Educação no Brasil que tenha um especialista em demografia, que saiba quantas crianças vão nascer nos próximos anos e, portanto, quantas escolas precisam ser abertas ou fechadas.

Há alguns meses, o MEC anunciou a aquisição de milhares de tablets para professores. O senhor vê isso com bons olhos?
É mais confete. O bom professor vai se beneficiar; o mau, não. E nem o benefício ao bom professor justifica o custo. Quando a tecnologia está atrelada ao professor, ele, o ser humano, vai ser sempre o fator limitante. Nenhum país conseguiu melhorar a educação a partir do uso da tecnologia. Não estou dizendo que a tecnologia seja ruim. Ela tem potencial, desde que seja usada no contexto apropriado. Não adianta colocar ingredientes certos na receita errada.

A sensação generalizada é que o ensino público nacional é um desastre. É uma visão errada?
É uma visão correta. Sobretudo para as crianças pobres, que teriam na escola a única chance de ascensão social. A escola é um desastre quando analisada pela ótica das avaliações internacionais, e um desastre também do ponto de vista pessoal, individual. A única chance que um cidadão tem de melhorar de vida no Brasil é’ por meio da educação de qualidade. E ela não tem qualidade para a maioria das pessoas. O número de jovens que chegam ao ensino médio é baixíssimo, e, entre estes, a evasão é uma calamidade. E o governo é incapaz de entender que há um modelo errado ali, que penaliza jovens justamente quando eles atravessam uma fase de afirmação.

O Enem foi criado como ferramenta de avaliação e aprimoramento do ensino médio. Porém, vem sofrendo mudanças para atender a outro fim: a seleção de estudantes para universidades públicas. Qual a avaliação do senhor a respeito?
Ninguém consegue servir a dois senhores. O Enem nasceu com um formato, mas transformou-se em outra coisa. Ele nasceu para ser uma prova de avaliação das competências dos jovens, mas não deu certo. Em seguida, tentou-se vender a ideia de que é uma prova seletiva, um vestibular barato. E ficamos com esse troço que ninguém sabe o que é. O Enem não tem a menor importância. A ideia de ter uma forma simplificada de ingresso à universidade é bem-vinda, mas isso não serve para todos os estudantes do ensino médio.

(…)
Tramita no Congresso o Plano Nacional de Educação, que prevê aumentar o porcentual do PIB destinado à área de 5% para 10%. A falta de dinheiro é a razão de crianças não saberem ler ou operar conceitos fundamentais de matemática?
O país deve investir em educação, mas colocar dinheiro na equação atual é jo­gá-lo fora. O problema mais importante é a gestão. Não adianta pôr mais dinhei­ro no sistema atual porque ele vai ser malgasto. É como pagar dois professo­res que não sabem ensinar: melhor é pagar somente um bom mestre. Temos problemas estruturais muito graves: se eles não forem resolvidos, não haverá financiamento que baste. Desde 1995, o salário do professor quintuplicou no Brasil, mas não houve avanço no de­sempenho do ensino. Então, aumentar uma variável só não vai mexer no resul­tado. A equação é mais complexa. Além disso, 10% é uma cifra descabida do ponto de vista da macroeconomia.

O país estabeleceu metas para o ensino básico até 2021. Como estará o Brasil, do ponto de vista da educação, às véspe­ras do bicentenário da Independência?
Estaremos no mesmo patamar. Não há nenhuma razão para pensar que será diferente. Não se muda a educação, estabelecendo metas, mas a partir de ins­tituições. Não há milagre. Uma vez que não existe investimento nas políticas corretas, não há por que achar que tere­mos uma situação melhor no futuro.


Fonte:
Por Reinaldo Azevedo

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

O ÔNUS SERÁ DO POVO, O BÔNUS DO GOVERNANTE


 Parceria, concessão, privatização ou doação?



Carlos Chagas - Tribuna da Imprensa - 17/08/2012
Como sempre, dividiram-se as opiniões. A presidente Dilma sustenta haver anunciado um programa de parceria entre o governo e a iniciativa privada, no máximo uma concessão, jamais privatização, como ironicamente julgam os tucanos, ou doação, conforme afirmam setores ideológicos apartados do PT.
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Cada um que escolha a definição que melhor se adapte aos seus interesses e convicções, porque rótulos distintos sempre servem para abrigar conteúdos iguaisA indagação maior é saber de onde sairão os 80 bilhões de investimentos previstos para os próximos cinco anos. Nesse particular o governo foi omisso. Se é verdade que a iniciativa privada entrará com no máximo 25% do total, o programa apresentado quarta-feira terá sido uma doação, sabendo-se que as concessões vão durar 40 anos. Mesmo assim, no empresariado, os mais conservadores queixam-se da falta de garantias.
Apesar da falta de memória dos brasileiros, será importante guardar os jornais desta semana para daqui a cinco anos, mesmo amarelados, conferirmos se foram mesmo implantados 7 mil e 500 quilômetros de novas rodovias e 10 mil quilômetros de ferrovias. Neste particular, será bom não esquecer que boa parte da nova rede anunciada pelo ministro dos Transportes já existiu, no passado, sendo destruída ou erradicada sob o abjeto raciocínio de tratar-se de ramais anti-econômicos. Em vez de tentar torná-los econômicos, chegaram a arrancar trilhos e dormentes.
Ainda em matéria de trens, o susto continua: a presidente prometeu implantar o trem-bala, obra faraônica de 20 bilhões, quando mais lógico seria restabelecer o tráfego ferroviário normal entre as duas capitais e suas regiões. Resta saber se porventura concretizado o sonho, a ele também se aplicará o princípio de o governo arcar com o custo dos vagões vazios, caso não surjam carga e passageiros para ocupá-los. Esse será o verdadeiro negócio da China, em especial de viermos a adotar a tecnologia chinesa.
De qualquer forma, haverá que aguardar os primeiros procedimentos dessa nova iniciativa tão a gosto do PSDB. Em revoada, os tucanos celebram a troca dos patronos do governo dos companheiros: sai Lula, entra Fernando Henrique


Fonte:
http://www.averdadesufocada.com


TERÁ PUNIÇÃO OU ENCENAÇÃO?


Vota ou não Vota?



Já se pode prever que o julgamento do mensalão vai se prolongar muito e Cezar Peluso não conseguirá votar.
Carlos Newton - Tribuna da Imprensa - 17/08/2012

A confusão é grande, em meio ao tiroteio entre o relator Joaquim Barbosa e o revisor Ricardo Lewandowski. E já era previsível o enfrentamento, porque desde o início Lewandowski se posicionou claramente em favor dos réus do mensalão. Chegou a declarar que sua função como revisor era se contrapor ao relator….

Depois, a jogada combinada entre Lewandowski e o advogado Marcio Thomaz Bastos chegou a ser desmoralizante. O advogado apresentou uma questão de ordem e o ministro revisor já trazia um voto a favor, por escrito e com dezenas de páginas, e queria que todos pensassem que a preparação antecipada do voto tinha sido coincidência. Francamente
Agora, em mais um sinal claro de polarização, o revisor Lewandowski acusou o relator Barbosa de querer votar o processo com a “ótica” da acusação do Ministério Público Federal. A crítica irritou Barbosa, que se disse ofendido pelo colega.

DIVISÃO EM NÚCLEOS

O fato concreto é que a Procuradoria Geral da República dividiu os 37 réus em núcleos: político, operacional e financeiro, nos quais teriam atuado na compra de votos para a composição da base do governo Lula no Congresso. E apresentou a denúncia em oito itens.

Por isso, no início da sessão, Barbosa propôs analisar o mensalão por itens da denúncia. “Vou julgar a ação penal por itens de acordo com o formulado pela denúncia e julgarei seguindo a lógica da denúncia”, afirmou.

Lewandowski, porém, reagiu. “Estaremos adotando a ótica do Ministério Público e admitindo que existem núcleos”, disse.

Barbosa rebateu: “É uma ofensa, não venha Vossa Excelência me ofender em plenário.”

O revisor então disse que a proposta de fatiar a votação era “antirregimental”.

O relator, então, tentou explicar. “Eu não falei em votar por núcleos. Eu falei que vou votar em itens”, disse, referindo-se ao fato de a denúncia do Ministério Público ser dividida em oito itens.

O presidente Ayres Brito decidiu colocar o assunto em votação e o plenário do Supremo decidiu que cada ministro pode definir sua metodologia de voto sobre o mensalão.

PELUSO NÃO VOTA?

O ministro Marco Aurélio também se posicionou contra analisar partes. “O direito em si, especialmente o instrumental, é orgânico e dinâmico. Não compareci à Corte para me pronunciar em doses homeopáticas. Devo julgar a ação penal como ela se apresenta”, disse.

Ele ainda levantou dúvidas sobre o fato do ministro Cezar Peluso participar do julgamento, já que se aposenta no dia 3 de setembro.

“O que teremos se houver a antecipação? O que irá ocorrer se tivermos abordagens apenas de certas imputações?”, questionou Mello, botando mais lenha na fogueira.

Esse ponto é importantíssimo. Se continuar o enfrentamento entre relator e revisor (e deve continuar), o julgamento não terminará dia 30, quando Peluso se afastará do Supremo, por aposentadoria compulsória, ao completar 70 anos.


FONTE:http://www.averdadesufocada.com

O ENGANADOR-MOR DA REPÚBLICA


 Um direto no “queixo” do PT



Ernesto Caruso, 17/08/2012

            Tempos de Olimpíadas. O Brasil foi mal em Londres, mas o STF ganhou a primeira prova na corrida contra a prescrição dos crimes do mensalão do PT.
            Iniciada a contenda, o STF lavrou um tento ao bater por 9 a 2 a proposta do ex-ministro de Lula e ex-advogado do Cachoeira, Márcio Thomaz Bastos, de retirar da ação penal os que não desfrutam de foro privilegiado, isto é a maioria dos envolvidos. 

Tentativa de procrastinar, seja com intuito de tirar o assunto do embate eleitoral em curso, seja, para retardar o processo e enterrá-lo nos meandros da injustiça. Conseguiu atrasar em um dia. Juntamente com o advogado José Carlos Dias, recentemente nomeado por Dilma Roussef para a Comissão da Verdade, já tinha pedido para adiar o julgamento, sem sucesso.
No campo acarpetado e suntuoso não deixam de catimbar nos lances eventuais como a pedir a suspensão do julgamento ou a remarcação das sustentações orais por conta da saída da ministra Carmem Lúcia para uma sessão do TSE. Nova derrota por 11 a zero.
            Houve até escaramuça; a destacar o debate acalorado entre os ministros Barbosa e Lewandowski, criticado pelo primeiro que por ser revisor há mais de dois anos poderia ter argumentado pelo desmembramento proposto, não no início do julgamento, mas muito antes, taxando de desleal o seu gesto. A extensa argumentação acarretou um dia de atraso no apertado cronograma feito pelo STF.
            O envolvimento de autoridades/cartolas ligados ao governo e ao PT está bem caracterizado no relatório do Procurador Geral da República Roberto Gurgel que acusa José Dirceu, então Ministro da Casa Civil de Lula, José Genoíno, presidente do PT e Delúbio Soares, tesoureiro do partido. Sobre o principal acusado e maior autoridade citada afirmou: “José Dirceu foi o mentor da ação do grupo, seu grande protagonista”. Esses se associaram "de forma estável permanente para o cometimento de crimes contra o sistema financeiro nacional, contra a administração pública, contra a fé publica, bem como crimes de lavagem de dinheiro". Conclui: “o mais atrevido e escandaloso caso de corrupção e desvio de dinheiro público flagrado na história do Brasil”.
            O deputado João Paulo Cunha do PT era o presidente de Câmara dos Deputados, também acusado de pertencer ao esquema. 
            Embora, tenha sofrido ataques contundentes, o procurador Gurgel não deu origem à denúncia, mas sim, o então procurador-geral, Antonio Fernando de Souza, em 2006, que a definiu como “uma sofisticada organização criminosa,..”.
Os advogados negam a participação dos seus clientes nos aludidos crimes. Causa que não deve ter custado pouco aos acusados. Pode ter havido gratuidade; defensor público só um, dos que assisti.
Dois advogados deixaram marcas além do ex de Cachoeira. José Carlos Dias que relembrou ter defendido em 1972 naquela corte um preso condenado a 30 anos em um crime confessado sob tortura; condenação que conseguiu reduzir a 15 anos no STM e absolvição no STF. Ao que denota, a Justiça estava presente e independente em “plena ditadura”. Usou o tema para reforçar a defesa da sua constituinte que estava vivendo o mesmo clima da tortura imposto pelo MP.
O outro advogado, Luiz Francisco C. Barbosa, na defesa do ex-deputado Roberto Jefferson, acusa: "Lula se portou não como um pateta, mas como um omisso, que traiu a confiança do povo, dentre os quais eu me incluo", ao concluir que Lula era o mandante do mensalão.
            Espera-se um resultado favorável ao Brasil e ao cidadão que não colhe bons resultados no quadro de medalhas, pois está muito longe do pódio, como no Programa Internacional de Avaliação de Alunos, 53ª posição entre 64 países avaliados; na inovação, 58ª posição, uma queda de nove posições em relação a 2011; 88ª entre 127 países em educação; 72ª entre 156 países em inclusão digital; no sistema mundial de saúde, 125ª em 190; 72ª em 193 países no ranking da Organização Mundial de Saúde de investimento em saúde; 31ª posição no Índice de Segurança Alimentar em 105 países; 6º lugar dos países mais violentos do mundo. Em corrupção o Brasil vai bem, 73ª entre 183 nações avaliadas.
            Com a palavra e a caneta o STF para melhorar ou piorar


JOAQUIM NÃO É RUI... MAS É BARBOSA..


Quem tira o sono do PT?



Min Joaquim Barbosa durante a leitura de
seu voto pela condenação do dep João
Paulo Cunha-PT/SP, de Marcos Valério,
Cristiano Paz e Ramon Hollerbach -SMP&B


Leia depois da matéria sua biografia

Mensalão - O julgamento
Joaquim Barbosa é quem mais tira o sono dos petistas
Indicado por Lula, ministro relator do Supremo é tido como voto certo para condenação da maioria dos réus
De currículo acadêmico de respeito, ele costuma ser rigoroso, traço da vida como arrimo de família, dizem amigos
Vera Magalhães - Editora do Painel - Felipe Seligman - Folha de São Paulo
O ministro Joaquim Barbosa, 57, convive diuturnamente há seis anos com duas companheiras inseparáveis: a ação penal 470 e uma dor crônica nas costas.

fNesta semana, ele começa a se libertar da primeira, com o voto no processo do mensalão.
Os colegas do Supremo e os advogados dos 38 réus são unânimes em prever sentença favorável à condenação da maioria dos acusados pelo Ministério Público, instituição à qual Barbosa pertencia ao ser escolhido para a corte pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2003.
Caso a expectativa se confirme, o doutor em direito pela Universidade Paris 2, saudado como o primeiro negro a chegar à mais alta corte brasileira graças ao PT, terá confirmado sua condição de inimigo número 1 do partido.
Os mesmos companheiros de Lula que exaltavam o currículo acadêmico brilhante de Barbosa -que, além de ter obtido a titulação na França, deu aula nos EUA e é fluente em inglês, francês e alemão- agora desdenham de sua nomeação, atribuindo a escolha a uma política de cotas.
Ao encaminhar sua nomeação, Lula dizia aos conselheiros, entre eles o então ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, que indicaria o primeiro negro para a corte.
Vários "currículos" foram analisados pelo governo, e o de Barbosa se destacou sobre os demais. "Era uma covardia o tanto que o Joaquim era mais preparado", lembra um participante do processo.
Uma vez nomeado, Barbosa começou a mostrar outras características que começaram a assustar os políticos: em questão penal, costuma ser autor de votos duríssimos, quase sempre favoráveis ao Ministério Público. "É um promotor em pele de magistrado", vaticina um dos advogados do mensalão.
No STF, travou várias e acaloradas discussões com colegas, a mais notória com Gilmar Mendes, a quem acusou de ter "capangas".
Não fez amigos no tribunal, cuja presidência assumirá em dezembro. O colega de quem é mais próximo é o presidente Carlos Ayres Britto.
O rigor, dizem os amigos, vem do fato de "Joca", como é chamado, ter sido o arrimo da família de oito filhos, em Paracatu, interior de Minas.
Mas fora da corte Barbosa é bem-humorado, sarcástico, amante de música -tem coleções de MPB, jazz e música clássica -e boêmio.
Antes da dor crônica nas costas, jogava futebol duas vezes por semana. São-paulino doente, era o craque da UnB, onde se formou.
Ocupou cargos públicos, mas recusou convite para ser secretário nacional de Justiça no governo FHC. Ironicamente, se tivesse aceitado, não teria sido ungido por Lula nem viria a relatar o caso que tira o sono dos petistas.
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Biografia: : Fonte Wikipédia

Joaquim Barbosa nasceu em Paracatu, noroeste de Minas Gerais. É o primogênito de oito filhos. Pai pedreiro e mãe dona de casa, passou a ser arrimo de família quando estes se separaram. Aos 16 anos foi sozinho para Brasília, arranjou emprego na gráfica do Correio Braziliense e terminou o segundo grau, sempre estudando em colégio público. Obteve seu bacharelado em Direito na Universidade de Brasília, onde, em seguida, obteve seu mestrado em Direito do Estado.
Foi Oficial de Chancelaria do Ministério das Relações Exteriores (1976-1979), tendo servido na Embaixada do Brasil em Helsinki, Finlândia e, após, foi advogado do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) (1979-84).
Prestou concurso público para procurador da República, e foi aprovado. Licenciou-se do cargo e foi estudar na França, por quatro anos, tendo obtido seu mestrado e doutorado ambos em Direito Público, pela Universidade de Paris-(Panthéon-Assas) em 1990 e 1993. Retornou ao cargo de procurador no Rio de Janeiro e professor concursado da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Foi visiting scholar no Human Rights Institute da faculdade de direito da Universidade Columbia em Nova York (1999 a 2000) e na Universidade da Califórnia Los Angeles School of Law (2002 a 2003). Fez estudos complementares de idiomas estrangeiros no Brasil, na Inglaterra, nos Estados Unidos, na Áustria e na Alemanha. É fluente em francês, inglês, alemão e espanhol. Toca piano e violino desde os 16 anos de idade.
Embora se diga que ele é o primeiro negro a ser ministro do STF, ele foi, na verdade, o terceiro sendo precedido por Hermenegildo de Barros (de 1919 a 1937) e Pedro Lessa (de 1907 a 1921)

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

A MAIORIA DO ELEITOR É ILETRADO-COMO MUDAR?


Voto, logo existo!


 Raul Marino Jr.
O Estado de S. Paulo - 13/08/2012


"Revolto-me, logo existo!" Essa é a frase famosa de indignação que Albert Camus estaria dizendo se fosse brasileiro... Até quando este povo permanecerá calado e abúlico diante dos escândalos que se sucedem diariamente, na Câmara dos Deputados, no Senado e nos logradouros onde se deveria praticar a justiça? Aproximam-se novas eleições e mesmo os brasileiros mais esclarecidos não sabem mais como votar, pois a maioria dos políticos está se dividindo em dois grupos: um com gente incapaz e outro com gente capaz de tudo!

Quem quiser tornar-se um profissional neste país deve, primeiro, passar por severos vestibulares e exames até se diplomar médico, advogado, engenheiro, etc., além de levar anos para ser reconhecido como um profissional confiável. Atualmente, ser político no Brasil é o único ofício para o qual não é necessária nenhuma preparação. O próprio Lenin já disse que "toda cozinheira deve aprender a governar o Estado". Quer-nos parecer que aqui já não estamos longe disso, é só observar as consequências no Planalto.
Temo por nossos filhos. A que belo exemplo estão eles agora assistindo. Em breve não desejarão mais estudar ou se esforçar, porque, a exemplo de Pindorama, fica mais fácil gozar as benesses do "jeitinho" brasileiro. Aqui, tiriricas são apenas mais uma erva daninha...
É claro que talvez sejam "apenas" 90% dos políticos que dão aos bons 10% a péssima reputação a que assistimos. O ex-senador Romeu Tuma, chefe de tantas polícias, já afirmou: "Se você tem asco da corrupção, não pode ser um asno na votação". Mas como, por meio de um simples voto, consertar esse estado de coisas?
Se não houver melhor seleção dos candidatos, seremos sempre a eterna carneirada forçada a votar no que nos impinge a traiçoeira televisão. Falo como pessoa do povo e, após tantos anos nefastos, vejo agora que um governo nunca poderá ser melhor ou pior do que o povo que o elegeu. Temos culpa nisso, sim! Se encontramos um asno ou uma tartaruga aboletados no alto de um poste, quem pensará que lá chegaram sozinhos? Por certo tiveram a nossa ajuda.
Para nós, caráter é aquilo que fazemos quando ninguém está olhando. Quem nos ensinará a escolher homens de caráter? Despreparados para o poder vão certamente utilizá-lo mal por falta de caráter.
Qualquer psiquiatra sabe que as doenças da afetividade, como a depressão, ou as da personalidade, como a esquizofrenia, podem ter controle farmacológico. As doenças do caráter - as personalidades psicopáticas -, porém, não têm solução médica. São incuráveis e vão desde a amoralidade até o crime, além de haver ainda outras variedades. Victor Hugo dizia que, "entre um governo que pratica o mal e o povo que o consente, há certa solidariedade vergonhosa", pois o que é mau na moral o é também na política.
Na Bíblia, em Provérbios, está escrito: "A capacidade levará um homem a altas posições, mas ele precisará ter caráter para nelas permanecer". Palavras de Deus. Haverá melhor testemunho? Onde estão nossas igrejas, as protestantes e as que não protestam, que cobram de nós nossas pequenas faltas e agora se calam ou mesmo se unem aos faltosos governamentais? Onde estão os fautores das leis, que, em lugar de os colocar em suas cadeias, a eles se unem em habeas corpus ignominiosos, provando que a Justiça é cega? O Brasil ainda não tem suficientes oftalmologistas para corrigir tanta cegueira!
O saudoso Roberto Campos, tantas vezes ministro e embaixador, sabiamente afirmava: "Nenhuma sociedade pode florescer, ou mesmo funcionar, se seu povo não se sente mais responsável por ela". Atentem bem: o voto de um filósofo ou de um teólogo, ou ainda de um grande jurista, vale tanto quanto o voto de um infeliz comprado com algumas esmolas e migalhas de uma Bolsa-Família!
Estarreço-me quando ouço o governo dizer das torturas que vêm sofrendo os "pobres" mensaleiros nas comissões parlamentares de inquérito (CPIs) e, ao mesmo tempo, ver os maiores responsáveis por essa tragédia macunaímica crescendo nas pesquisas de voto. Lembram-se de Mario de Andrade, o criador de Macunaíma, o herói sem nenhum caráter?
Existirão leis, sim, mas não quem as proteja! Existirão muitos políticos "honestos", sim, geralmente aqueles que depois de comprados sempre permanecerão comprados. A verdade é que querem calar-nos, a nós, pobres eleitores, e também à mídia - como calaram já um dos maiores e honesto jornalista deste país, somente porque dizia "isto é uma vergonha"..., o que certamente incomodava muitos. Calaram também prefeitos, policiais e testemunhas, fazendo-nos crer que foram crimes comuns.
Só nos resta mesmo invocar o Evangelho: "Mestre, mande seus seguidores calarem a boca!". Respondeu Jesus: "Eu afirmo a vocês que se eles se calarem até as pedras gritarão!" (Lucas 19:40). Agora, pergunto: somos cidadãos ou somos pedras que se calam?
O filósofo Santayana já havia vaticinado três tipos de governo: "O que faz acontecer, o que assiste a acontecer e o que nem sabe o que acontece". Qual deles escolheremos?
Avizinha-se nova campanha eleitoral e alguns inconformados já dizem: "Penso, logo voto nulo!". São os que pensam que pensam... Há 2 mil anos o povo já preferia Barrabás. Preocupo-me que, de novo, vão crucificar a verdade - e novamente em benefício da mentira.
Acorda, Brasil! Só nos restará corrigir e lamentar a nossa sina: "Voto mal, logo existo!".


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POLITICAGEM DÁ NISSO...DESORDEM/BAGUNÇA


 O tiro no pé do PT


              Nem foi tiro, foi bomba!




Por Suely Caldas - O Estado de S.Paulo - 12/08/2012


O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, errou de endereço ao apostar, há dias, que ficará decepcionado quem imagina que o julgamento do mensalão desestabiliza o governo Dilma. Se a sentença final do Supremo Tribunal Federal (STF) absolver os que passaram dois anos desviando dinheiro público para seus partidos, a decepção será muito mais da população do que da oposição. Decepção e desesperança de punição para futuros crimes de corrupção.

A possibilidade de desestabilização política de Dilma Rousseff tem outra origem, endereço diferente da pacata oposição e ganhou musculatura nos últimos dias. Ela atende pelas siglas PT e CUT, que lideram os movimentos grevistas de funcionários públicos e que transformaram a vida da população num caótico inferno na última semana. Deixou de ser o fogo amigo da época de Lula, é fogo inimigo mirando Dilma, e com poder de produzir efeitos também no voto da classe média nas eleições. Como não há como separar o governo do partido que lhe dá sustentação política, é o PT atirando no próprio pé.
O prejuízo de uma greve de 30 profissões públicas e 350 mil funcionários é financeiro, mas também político. De tão fragmentado, o prejuízo financeiro é difícil de calcular, pois a greve se estende pelo País todo. Certamente, ultrapassa a casa de muitos milhões de reais: navios e mercadorias parados nos portos, aviões decolando com enorme atraso, contratos de compra e venda desfeitos, multas por descumprimento de prazos. Perdas que abalam a economia do País e são distribuídas entre os setores público e privado. A cifra global é alta, mas não se compara ao drama vivido pelos milhares de brasileiros prejudicados pela paralisação de serviços públicos.
O que pensam pais e alunos de mais de 50 universidades públicas sem aulas há três meses? Ou os milhares de motoristas e passageiros parados durante 9 horas na Ponte Rio-Niterói? Ou quem precisava viajar de avião ou ônibus e não chegou ao seu destino a tempo de cumprir inadiável compromisso? Ou ficou retido horas no engarrafamento da Via Dutra, com a carga do caminhão se deteriorando ou passageiros angustiados, cada um com seu drama pessoal, precisando abreviar a chegada? E quem teve aquela urgente cirurgia cancelada porque os médicos desapareceram do hospital? E os doentes sem atendimento?
Enfim, são milhares e milhares de brasileiros que passaram a enfrentar o inferno com a multiplicação das greves. E, quanto mais pobre, mais penalizada é a população, porque é quem mais precisa e recorre aos serviços públicos. Em contraste com ela estão justamente os grevistas e suas lideranças com seus privilégios: nunca são demitidos, aposentam-se com o mesmo salário da vida ativa, têm prêmios, quinquênios, jornadas de trabalho encurtadas e salários elevados, quando comparados aos do setor privado. É o que faz de Brasília a cidade de maior renda per capita do País, o dobro da de São Paulo, a segunda colocada.
Essa multidão de brasileiros prejudicados pelas greves certamente identifica no governo um dos causadores de suas mazelas. Mas não só. Passaram os tempos do maquiavelismo, do bem e do mal, do mocinho e do algoz. Não se iludam PT e CUT: o desgaste e a desestabilização política não se restringem a Dilma, mas também os contaminam. É o pai do aluno culpando os professores, o passageiro do avião e do ônibus responsabilizando os policiais federais e rodoviários, a mãe desesperada com o filho no colo xingando o médico. E todos identificando no PT e na CUT os incentivadores da eclosão e adesão às greves.
Felizmente, a ascensão dos pobres à classe média deu a eles acesso não só a bens materiais, mas também à educação e à informação. E a democracia deu liberdade para pensar, agir, escolher e votar em partidos e candidatos que os defendam, não que os prejudiquem.
Sem dúvida, a greve é um direito do trabalhador. Mas, quando ela se prolonga indefinidamente, penaliza a população e pretende o absurdo de quase dobrar os R$ 100 bilhões da folha salarial, ela se transforma em tiro no pé do partido que a estimula. No caso, o PT

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DOUTOR HONORIS CAUSA EM MENTIRAS


Só o chefe não sabia


           Logo ele , louco de vivo?...


Por Ferreira Gullar - Folha de São Paulo - 12/08/2012


Sem dúvida que estava a par de tudo e em tudo interferia, por meio de seus paus-mandados
Falando francamente, qual é a imagem que se tem de Lula? Melhor dizendo, se alguém lhe pedisse uma definição do nosso ex-presidente da República, qual daria? Diria que se trata de uma pessoa desligada, pouco objetiva, que mal repara no que se passa à sua volta? Estou certo de que não diria isso, nem você nem muito menos quem privou ou priva com ele.

Ao contrário de alguém desligado, que entrega aos outros a função de informar-se e decidir por ele, Lula sempre se caracterizou por querer estar a par de tudo o que acontece à sua volta e, muito mais ainda, quando se trata de questões ligadas a seu partido e à realidade política em geral.
As pessoas que o conheceram no começo de sua vida política, como os que lidaram com ele depois, são unânimes em defini-lo como uma pessoa sagaz, atenta e sempre interessada em tudo saber do que se passava na área política e, particularmente, o que dizia respeito às disputas, providências e articulações que ocorriam dentro do seu partido e no plano político de um modo geral.
Isso já antes de sua chegada ao poder. Imagine você como passou a agir depois que se tornou presidente da República. Se hoje mesmo, quando já não ocupa nenhum cargo no governo nem no partido, faz questão de saber de tudo e opinar sobre tudo, acreditaria você que, no governo, deixava o barco correr solto, sem tomar conhecimento do que ocorria? Isto é, sabia de tudo menos do mensalão?
Veja bem, hoje mesmo, alguma coisa se faz na Câmara dos Deputados ou no Senado sem o conhecimento da Dilma? Os repórteres, os comentaristas políticos estão diariamente a nos informar do controle que o Planalto exerce sobre o Parlamento.
A cada problema que surge, a cada decisão importante, Dilma convoca os líderes da base parlamentar para dizer a eles como devem agir, como devem votar, que decisões tomar. Isso Dilma, hoje. Imagine o Lula, quando presidente, mega como sempre foi, mandão por natureza. Sem dúvida que estava a par de tudo e em tudo interferia, por meio de seus paus-mandados. Dá para acreditar, então, que ele só não sabia do mensalão, nem sequer ouvira falar? Claro que você não acredita nisso, nem eu.
É evidente que Lula não podia ignorar o mensalão porque não se tratava de uma questão secundária de seu governo. Longe disso, o mensalão foi o procedimento encontrado para, com dinheiro público, às vezes, e com o uso da máquina pública, noutras vezes, comprar o apoio de partidos e os votos de seus representantes no Congresso.
Não se tratava, portanto, de uma iniciativa secundária, tomada por figuras subalternas, sem o conhecimento do chefe do governo. Nada disso. Tratava-se, pelo contrário, de um procedimento de importância decisiva para a aprovação, pelo Congresso, de medidas vitais ao funcionamento do governo. Portanto, Lula não apenas sabia do mensalão como contava com o apoio dos mensaleiros para governar.
Certamente, o leitor perguntará: por que Lula, esperto como é, arriscou-se tanto? Pela simples razão de que não desejava dividir o poder com nenhum partido forte, capaz de lhe impor condições. Como é próprio de seu caráter e de seu partido, só admitia aliança com quem não lhe ameaçasse a hegemonia.
Não estou inventando nada. Todo mundo leu nos jornais, logo após a vitória nas eleições presidenciais, que José Dirceu articulava a aliança do novo governo com o PMDB.
Só que Lula não aceitou e, em seu lugar, buscou o apoio dos pequenos partidos, aos quais não teria que entregar ministérios e altos cargos nas estatais. Em vez disso, os compraria com dinheiro. E foi o que fez, até que, inconformado, Roberto Jefferson pôs a boca no mundo.
Lula, apavorado, advertiu os seus comparsas para que assumissem a culpa, pois, se ele, Lula, caísse, todos estariam perdidos. E assim foi para a televisão, disse que havia sido traído e se safou.
Bem mais tarde, com a cara de pau que o caracteriza, afirmou que nunca houve mensalão mas, ainda assim, tentou chantagear um ministro do Supremo. Afinal, por tudo isso, recebeu o título de doutor honoris causa! Merecidíssimo, claro!

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AS MENTIRAS VEM DO SINDICALISMO NO ABC


 Um festival de mentiras








Carlos Chagas - Tribuna da Imprensa - 13/08/2012
Tem um problema ético solto por aí. Aliás, presente desde que o mundo é mundo, mas agora à vista de todos. A obrigação do advogado é defender o cliente. Jamais negar ajuda aos aflitos que o procuram. Mas pode mentir? Enganar a sociedade, e enganar-se, por conta do princípio fundamental que rege a profissão?

Fala-se do julgamento do mensalão. O país assiste a maior sucessão explícita de mentiras de que temos notícia desde a proclamação da República. “Foi tudo caixa dois de campanhas eleitorais.” “Não houve dinheiro público na operação.” “O Lula não sabia de nada.” “José Dirceu jamais cuidou do PT, depois de empossado na Casa Civil.”
“Delúbio Soares não distribuía recursos a deputados em troca de apoio ao governo.” “Marcos Valério nada tinha a ver com o Banco Rural.” E quantas outras barbaridades tem sido perpetradas no plenário da mais alta corte nacional de justiça?
Calcula-se que 150 advogados empenham-se na defesa dos mensaleiros, com 38 mais expostos porque comparecem à tribuna do Supremo Tribunal Federal. Haverá um só deles capaz de acreditar nos argumentos que sustentam? Em sã consciência, conseguem olhar-se no espelho, mesmo embaçado pelos vultosos honorários recebidos? Encena-se um dos maiores festivais de mentira verificados no país.
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ME ENGANA QUE EU GOSTO
Melhor esperar a confirmação, porque um fio de esperança sempre haverá. Tudo indica, porém, que quarta-feira a presidente Dilma anunciará nova rodada de privatizações. Mais rodovias, ferrovias, hidrelétricas, portos e aeroportos, dos que sobraram em poder do Estado, passarão às mãos da iniciativa privada. Não que os cofres públicos venham a receber um centavo sequer pela doação. Apenas, vão livrar-se do encargo de gerir patrimônio público. As empresas aquinhoadas é que aumentarão seu faturamento através de pedágios e similares, felizes também porque se forem investir na melhoria dos serviços, saberão buscar o investimento no BNDES, nos bancos oficiais, na isenção de impostos e em outros benefícios fiscais.
É o governo do PT em marcha, seguindo os passos do sociólogo, que o torneiro-mecânico copiou. Como a crise econômica se amplia, logo surgirão propostas para novas privatizações. A Petrobrás dá prejuízo? Que se entregue a metade que sobrou da alienação promovida por Fernando Henrique. Por que não privatizar o Banco do Brasil, a Caixa Econômica e os Correios? Mesmo assim, não vai dar. Mas existirão o sistema penitenciário, a segurança pública, as polícias, o Poder Judiciário e, enfim, as Forças Armadas. Ou elas também não dão prejuízo?
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QUANDO CHEGAR A NOSSA VEZ
Cresce a onda de greves, sem sinal de interromper-se. Seus efeitos já se fazem sentir. Rodovias engarrafadas, aeroportos paralisados, portos sem funcionar, segurança pública exangue e abastecimento precário.
Se os horizontes são esses, por que diabo o cidadão comum não reage? Adianta pouco esperar o poder público, já que ele mesmo vem dando o exemplo.
Qualquer dia surgirá um tresloucado pregando a nossa vez. Que tal parar de pagar impostos?
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ODE AO VAZIO
Crises e impasses não faltam. Julgamento do mensalão, CPI do Cachoeira, greves, paralisação do serviço público, aumento da gasolina, derrota da seleção olímpica de futebol e quanta coisa a mais?
No meio do temporal, no entanto, nota-se um vazio para ninguém botar defeito: onde anda a oposição? Em que céu voam os tucanos, que ninguém vê? Nem soluções, nem projetos, sequer críticas e protestos. Pelo jeito, o Brasil não é com eles. Nem voltará a ser deles


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CAIU A FICHA-MODELO ESTATIZANTE FALIU


Desatar o nó Brasil



Por Carta ao leitor - Revista Veja - 13/08/2012

Demorou a cair a ficha. Mas, finalmente, caiu. Uma reportagem desta edição de VEJA revela os próximos passos do governo de Dilma Rousseff para fazer as pazes com as leis econômicas — algo tão necessário quanto é para engenheiros, arquitetos e projetistas de aviões estar em harmonia com a lei da gravidade. O editor Otávio Cabral obteve o cronograma das providências que o Palácio do Planalto vai tomar nas próximas semanas. Elas são o resultado da constatação lógica que só o governo não tinha enxergado: esgotou-se o modelo de concessão de crédito barato subsidiado pelos impostos dos brasileiros que trabalham e secundado por intervenções estatais para segurar o preço dos combustíveis e controlar artificialmente a inflação.
A presidente Dilma, que antes de agir ouviu um grupo seleto de grandes empresários, optou por dar uma guinada e partir para outro caminho, que, em suas próprias palavras, tem como objetivo “desatar o nó Brasil”.
Pelo que conseguiu apurar o editor Otávio Cabral de fontes no Palácio do Planalto e no Ministério da Fazenda, o governo Dilma vai privatizar estradas, ferrovias, portos, aeroportos e cortar impostos que hoje fazem do Brasil o país das distorções. O Brasil produz a energia mais barata do planeta e a fornece pelo preço mais alto na outra ponta. Suas empresas pagam salários baixos em comparação com as de nações mais desenvolvidas, mas têm a folha de pagamento mais cara. “Pelo que vi e ouvi sobre as mudanças, o governo entendeu que seu peso sobre os ombros da livre-iniciativa é o grande problema da economia brasileira”, diz Cabral. O editor de VEJA notou, no entanto, que ainda há certo temor de falar a palavra “privatização”, que foi demonizada sob Lula e por Dilma durante a campanha presidencial de 2010. O Palácio do Planalto fala em concessões à iniciativa privada, mas, na prática, são privatizações. As empresas privadas que ganharem as concessões poderão aplicar o dinheiro arrecadado na operação nas próprias rodovias, ferrovias, portos e aeroportos. É um grande passo na direção certa. Para obter no Congresso a aprovação definitiva das mudanças, a presidente Dilma Rousseff vai enfrentar resistências óbvias de setores de seu partido, o PT, e de outras forças reacionárias, em geral à esquerda do espectro político. Está aí uma batalha para a qual a presidente vai precisar do apoio da opinião pública. O de VEJA fica desde já hipotecado.

Fonte:http://www.averdadesufocada.com

LULA ISENTO DE CULPA- DEVE A FHC E OS SEUS...


Sai daí, Zé! Vem pra cá, Lula!




OS TRÊS MENSALEIROS ANTES DO ESCÂNDALO.

Mencionado apenas de maneira lateral no julgamento do mensalão, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve ser levado para o centro do plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), hoje, com a apresentação da defesa do ex-deputado Roberto Jefferson por seu advogado Luiz Francisco Corrêa Barbosa.

"O procurador-geral [Roberto Gurgel] acha que o ex-presidente Lula é um pateta, que o Dirceu fazia tudo aquilo que ele disse e o Lula não sabia de nada", afirmou o advogado. "Não dá. Isso é uma ofensa", ironizou. Para o advogado de Jefferson, o Ministério Público Federal deveria ter incluído o ex-presidente como réu do mensalão, e não como testemunha. Corrêa Barbosa é um "outsider" entre os advogados que estão fazendo a defesa dos réus do mensalão. O fato de ele defender Jefferson fez com que ficasse de fora de algumas articulações para a definição de estratégias comuns entre os advogados dos 38 réus.

Jefferson acredita que a Procuradoria-Geral errou ao colocá-lo como réu no mensalão. Como foi ele que concedeu a primeira entrevista para denunciar um suposto esquema de compra de apoio parlamentar pelo ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, queria ser testemunha. Pouparia Lula, mas não Dirceu. Isso fez de Jefferson, presidente do PTB, um caso à parte nos autos do mensalão. É o único que ataca Dirceu e alguém em que os demais advogados dos réus não podem confiar para a definição de estratégias, já que foi ele quem denunciou e cunhou o termo "mensalão".

Enquanto todos os advogados seguem linhas de defesa semelhantes, como afastar Lula do centro do esquema, transferir a responsabilidade de práticas supostamente criminosas para pessoas que morreram, como o ex-presidente do Banco Rural, José Augusto Dumont, e o ex-deputado José Janene (PP), tomar todo o tempo destinado à defesa e fazer acertos prévios para levantar questões de ordem ao STF, Corrêa Barbosa é independente. Ele ganhou de Jefferson a liberdade para fazer a defesa da maneira que achasse melhor e optou por um tom forte e agressivo.

Durante a tramitação do processo, o advogado de Jefferson ingressou com 13 questões de ordem, além de uma série de recursos. As questões foram desde a necessidade de incluir Lula como réu até um pedido de nulidade de todo o processo, sob a alegação de que Jefferson não pôde acompanhar todos os depoimentos. Foi a apresentação de sucessivas questões de ordem pela defesa de Jefferson que fez o relator do processo, ministro Joaquim Barbosa, reclamar das "chicanas" do mensalão - nome dado às manobras jurídicas que têm o objetivo de atrasar o processo. Em abril de 2010, Joaquim propôs aos demais ministros do STF que aplicassem multa ao advogado. Mas a maioria do tribunal concluiu que a multa poderia ser interpretada como uma censura da Corte ao direito de defesa. O STF acabou enviando o caso para a OAB aplicar eventuais punições disciplinares ao advogado, como advertência.

Alheia a advertências, que acabaram não se confirmando, a defesa de Jefferson se diferencia até na vestimenta das demais. Enquanto os advogados levaram as suas melhores becas para fazer a defesa no STF, Corrêa Barbosa foi à Corte de calça jeans. O uso de jeans é vetado no Supremo, mas ele simplesmente se negou a sair do plenário e discutiu com os seguranças, criando um momento de tensão, antes mesmo de falar aos ministros.

Lula foi citado em poucas ocasiões pelos 25 advogados que fizeram defesas na semana passada. O nome do ex-presidente foi mencionado no primeiro dia por José Luís de Oliveira Lima, advogado de Dirceu, na tentativa de demonstrar que ser chefe da Casa Civil implica em receber empresários, mas não necessariamente em favorecê-los. Oliveira Lima apresentou um depoimento de Lula e outro da presidente Dilma Rousseff, que sucedeu Dirceu na Casa Civil, para enfatizar essa tese. Essa foi a única vez em que o nome dela apareceu no plenário.

Gurgel passou perto de citar Lula ao dizer que as reuniões do esquema do mensalão aconteciam entre quatro paredes no Palácio do Planalto, mas o fez para enfatizar o papel de Dirceu. O procurador-geral mencionou Lula apenas para fazer referência à posse do presidente e ao governo vigente na época. Nenhum ato foi imputado pelo Ministério Público ao ex-presidente.

Na sexta-feira, o advogado Délio Lins e Silva, que defende Jacinto Lamas, ex-tesoureiro do PL, afirmou que o procurador foi incongruente. "Eu não estou aqui a dizer que Lula deveria figurar nessa denúncia. Acredito que ele não sabia de nada. Mas, se entre as quatro paredes eram feitas as tratativas, quem seria o maior beneficiário desse suposta esquema? O chefe da nação. Existe uma pessoa nesses autos que disse que o presidente sabia de tudo", enfatizou Lins e Silva, referindo-se a Jefferson. "Por que Lula não foi indiciado? Eu sou intrigado com isso", completou Délio Lins e Silva pai, que defende Antonio Lamas.

A expectativa é a de que a defesa de Jefferson também ataque Gurgel e seu antecessor no cargo, o ex-procurador Antonio Fernando de Souza, por não terem denunciado Lula. Partiu de Jefferson o pedido para que Lula fosse ouvido no processo, como testemunha. No depoimento, feito por escrito e encaminhado ao STF em abril de 2010, o ex-presidente disse que ouviu a primeira menção ao mensalão através de Jefferson numa reunião, no fim do primeiro semestre de 2005, com Aldo Rebelo (então deputado pelo PCdoB-SP), Walfrido dos Mares Guia (ex-ministro do Turismo), Arlindo Chinaglia (deputado pelo PT-SP) e José Múcio Monteiro (ex-ministro das Relações Institucionais). "Solicitei ao Aldo e ao Arlindo que verificassem se as afirmações procediam", disse Lula.

Na sexta-feira, a defesa do deputado federal Valdemar Costa Neto (PR-SP) informou que a legenda, antes chamada de PL, não fez acordos para receber dinheiro em troca de apoio ao governo Lula. "O mensalão pode ter ocorrido, mas com relação ao PL não", disse o advogado Marcelo Ávila de Bessa. Segundo ele, o PL recebeu R$ 8,8 milhões, através da empresa Guaranhuns, a título de empréstimo tomado por indicação do PT para quitar dívidas de campanha.

Bessa atribuiu eventual culpa nesse episódio a Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT. "Como no curso da campanha nenhum valor foi repassado ao PL, a alternativa dada pelo PT, como dito pelo Delúbio, foi tomar um empréstimo, uma despesa de campanha que seria paga mais à frente", justificou o advogado. Já Délio Lins e Silva disse que era Valdemar quem autorizava "desde a compra de um café até reuniões políticas" no partido. "Lamas não tinha ciência da origem ilícita dos valores e acreditava que eles eram destinados a Valdemar, e não para o partido", afirmou. (Valor Econômico)



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